20.7.14

Quando a vida põe em causa os nossos princípios.




Aquela ideia de que a vida nos trama sempre que as coisas estão bem é uma grande verdade, e às vezes tomamos consciência disso da pior maneira. Tanto o meu pai como o pai do meu namorado são emigrantes, passando longos períodos longe das famílias. Conheço de perto o sofrimento das nossas mães, a dura realidade ligada a estes casos, a incerteza, a tristeza, a saudade que nos mata lentamente, e eu estabeleci que não quero e não vou passar pelo mesmo, pois isso é demais para mim, não conseguia simplesmente suportar tal coisa. Eu preciso de alguém que esteja do meu lado, uma pessoa com a qual possa construir um futuro, uma família, sem passar por toda essa avalanche de emoções negativas de ter a pessoa que mais se ama tão longe. Não ia conseguir lidar com isso e não consigo sequer ponderar nessa hipótese. 
Nos últimos tempos, com toda a história do Dia da Defesa Nacional, o meu namorado ficou bastante interessado na Marinha, tal como eu. O padrinho de curso dele, que terminou agora a licenciatura, está no exército e diz que foi uma ótima escolha, o que apenas incentivou ainda mais as ideias que começaram a surgir. Apesar de eu já ter posto de lado a hipótese de ingressar nesse trilho, o meu namorado está a pensar seriamente em alistar-se ao terminar a licenciatura. A Marinha implica ficar longos períodos em alto mar, mas é uma boa escolha profissional e isso eu não nego. Ele recusa-se sequer a discutir essa escolha comigo, porque tem consciência do que eu penso. Talvez tenha sido um pouco dura com ele, pois desde a primeira vez em que ele me falou nisso que deixei bem claro que não havia futuro para nós os dois juntos caso ele fosse para longe. Ele ficou triste e bastante pensativo, recusando-se depois a sequer tocar no assunto quando está comigo. Porém, eu sei que ele tem falado disso com a família, com os padrinhos, e essa ideia tem sido bastante aceite e está cada vez mais enraizada. Eu já lhe disse que ele apenas tem que fazer o que é melhor para ele, que o quero feliz, acima de tudo. O meu coração fica apertado de medo e tristeza, o amor fala mais alto e vai contra aquilo que estabeleci como principio fixo para a minha vida. É certo que ele não fica longe tanto tempo como os nossos pais, que vem a casa várias vezes, assim como o padrinho dele vem a casa todos os fins-de-semana. No entanto não consigo lidar com ideia. Nem sei bem o que pensar de mim própria por causa disto tudo, talvez seja teimosia minha, um exagero, mas é algo pelo qual não queria passar. Mas como vou ficar longe da pessoa que mais amo no mundo? Como vou ser capaz de me separar da pessoa que me trouxe a felicidade que sempre procurei? Ele já me disse, em tom de brincadeira mas com alguma seriedade à mistura, que não vou conseguir resistir. Que ele vai sempre voltar para mim, que é aqui que ele vai sempre querer estar, e que eu não vou ser capaz de seguir em frente. Tenho medo disto tudo e não sei o que fazer. Faltam três anos e eu devia por isto de lado, aproveitar o agora e deixar de pensar tanto no depois. O meu coração e a minha razão estão em luta constante quando pondero esta situação. Qual deles hei-de ouvir? 

9 comentários:

  1. Neste caso ouve o coração. Preferes tê-lo pouco tempo mas por inteiro ou não tê-lo de todo?

    Falo como alguém que esteve prestes a ver o namorado a ir para a Marinha e que sabe que essa ainda é uma carta na mesa caso ele não consiga encontrar um novo emprego rapidamente. As saudades são tramadas, eu sei...

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  2. Blogger APENAS PALAVRAS disse...
    Penso que somos como os navegadores em busca de novos mundos, arriscando-nos por mares de conhecimentos nunca d´antes navegados... Sou assim a navegar pelas linhas do teu coração e nas linhas dos teus pensamentos, quando leio os teus devaneios de outroras.... Deixo-te um demorado o bj nas linhas do teu coração onde aprendi a navegar.

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  3. Acho que deves esquecer isso por agora e aproveitar, ainda falta muito tempo e muita coisa pode acontecer. O meu padrinho da faculdade também foi para o exército quando saiu da faculdade e diz que foi a melhor decisão da vida dele, mas passa a vida em casa com as pessoas que ama e ainda bem.
    Antes de eu e o J começarmos a namorar éramos melhores amigos e ele também quis ir para o exército. Zanguei-me imenso, berrei-lhe,fiquei dias sem lhe falar porque senti o mesmo que tu sentes agora mas depois ele acabou por ficar e quando começamos a namorar passado um mês ele entrou na fac e foi morar para longe. Pensei que ia morrer, chorava imenso, andava sempre mal disposta, zangava-me imenso com ele mas depois de uma conversa séria vimos que não havia necessidade daquilo porque ele só estava a lutar por uma parte do nosso futuro e apesar de custar fui aguentando e tudo ficou bem melhor :)

    Uma das minhas melhores amigas viu o namorado ir para o exército e agora está a fazer estágio na GNR e apesar de estarem longe tem o melhor relacionamento que alguma vez vi e um dos maiores amores :)
    Não penses negativo :)

    Mas acho que o melhor que tens a fazer agora é esquecer, aproveitar todo o tempo que tens com ele e ser feliz! Ainda faltam anos e nesses anos muito pode mudar querida :)

    se precisares de falar, sabes como me contactar :)

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  4. Bem, o meu menino esteve no Exército e é chato, mas não fez disso carreira.

    Tens de ponderar entre o ter e o perder de vez. Ele não pensa em deixar.te. porquê perder a hipótese de ainda o teres para não o teres de todo?

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  5. "Nunca deixes a tua mente negar aquilo
    em que o teu coração acredita."

    és tu que tens isto escrito no teu blog, pensa nisso ;)
    e ainda falta muito tempo... não deixes que isso afecte a vossa relação agora!

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  6. Boa noite!
    Estive muito tempo fora e até tinha fechado o blog, mas resolvi voltar!
    Visite: http://silenceisntawkward.blogspot.pt
    Beijinhos, nês!

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  7. É realmente uma situação complicado. Eu no teu lugar estaria da mesma maneira suponho. Deve ser díficil deixar partir de uma certa maneira, as pessoas que mais gostamos. O post já tem alguns dias portanto espero que a situação já se tenha acalmado :)

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  8. Muitas vezes é difícil perceber qual o melhor caminho mas temos tanto de ser egoístas e pensar em nós mas como ser altruístas e pensar no que é bom para os outros, e realmente a decisão final tem de ser só ele a tomar :) e a verdade é que quando amamos assim alguém, a felicidade dessa pessoa é muito importante.

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  9. Não sofras por antecipação, tens o teu lado que é o querer ficar perto dele, mas ele também tem esse sonho...Com o tempo isso tornar-se-á mais claro...

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