22.1.14

wind




O sol sorri-nos. Timidamente. Não é o seu tempo, não é o seu lugar, mas espreita por entre as pesadas nuvens e pinta a paisagem com a cor do verão. Invade o ar com uma nostalgia que planta memórias nas mentes dos transeuntes. Há um cheiro distinto, um cheiro a terra que é uma mistura de perfumes quase esquecidos. Está frio. Entra-nos no corpo como uma descarga de energia. Ouço um sopro lá fora e aproximo-me da janela, espreito através das cortinas. As árvores dançam na doce luminosidade inesperada. Folhas voam, ouve-se um chilreio incomum que chega da nogueira, aquela árvore que parece um monstro nu no meio do quintal, onde os pássaros se aninham, fazendo dos ramos um miradouro. O vento volta a soprar e canta através dos espanta-espíritos no alpendre. Cheira a verão. É uma saudade que mora em mim sem nunca desvanecer. O meu querido verão. E o vento sopra, chamando. Vou até ele e pouso os pés descalços na relva, sentindo o frio nos ossos. E ele sopra novamente, através de mim, mergulhando-me nos cheiros que carrega no seu âmago. A luz é quente mas não vence o frio. Não é o seu tempo. É sim tempo do vento, é sempre. Esse espírito selvagem nómada, que sempre volta para mim. Sempre volta. Tal como o verão. 

6 comentários:

  1. gostei muito. Também sinto saudade do verão, mas até que gosto em parte deste tempo frio (sem chuva)

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  2. Por momentos sente-se cada letra, começamos a retratar, por imagens, aquilo que é dito.
    Gostei bastante do que li.

    Um Beijo :)

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  3. Muito obrigada, em breve publico mais :)
    Adorei o teu texto. Que descrição bela!

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  4. Tão lindoo! :')
    R: obrigada querida, também espero cá andar muito mais tempo!

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